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ESTAMOS NA COPA#21,COMO O FUTEBOL MUDOU O MUNDO


Salve, rapaziada. Mais um “A Cultura do Futebol” aqui no FutRio.net.Sei que, na semana passada, já falei sobre zebras históricas e resultados surpreendentes envolvendo clubes cariocas. Mas, nesta semana, completam-se duas décadas de um dia que mudou a história do futebol da América do Sul. Em 5 de setembro de 1993, um gigante do futebol caiu diante da talentosa geração de um país que passou décadas sendo considerado um saco de pancadas perante os rivais continentais.Argentina e Colômbia se enfrentavam no Monumental de Núñez, pela última rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994. Uma vitória colombiana daria ao time a classificação para o Mundial, apenas o segundo em mais de 30 anos. No entanto, os tricolores nunca tinha vencido os argentinos fora de casa. O time alviceleste viveu um drama na qualificatória e precisava vencer para não precisar ir à repescagem.E o que isso tem a ver com cultura? Tudo. A Colômbia, mesmo com um time de muito talento, ainda vivia uma espécie de “complexo de vira-latas”, um sentimento de inferioridade perante os vizinhos da América do Sul, algo que também tinha um viés histórico. Mais pobre que países do sul do continente, como Argentina, Uruguai e Chile, o preconceito sofrido ia além do esporte. Os próprios argentinos fizeram questão de se considerar franco-favoritos para a partida, tentando desestabilizar o moral colombiano. E isso mudou a partir daquela noite em Buenos Aires, dentro e fora de campo.No grupo, a Colômbia enfrentou a Argentina e venceu por 2 a 1 em seu território. Já parecia um prenúncio do que estava por vir. A estrela argentina, Diego Armando Maradona, tinha voltado de suspensão por doping e nem era convocado para seu time. Mas assistia tudo das arquibancadas. E, dias antes do jogo, disse uma frase polêmica: “Não se pode mudar a História. Nós, argentinos, temos que nos manter exatamente como estamos: Argentina em cima, Colômbia embaixo”.Que isso motivou jogadores e torcedores colombianos, não há dúvida, mas o que aconteceria em campo era completamente inesperado. Diante de quase 100 mil argentinos, os então campeões da América tinham os ótimos Batistuta, Redondo e Simeone, enquanto a Colômbia contava com Valderrama, Asprilla, Rincón e Álvarez. No primeiro tempo, 1 a 0, gol de Rincón. No segundo, Asprilla (duas vezes), Rincón e Valencia fizeram os argentinos gritarem olé… para a seleção colombiana! Incríveis 5 a 0 e a Colômbia superava os próprios traumas e uma das seleções mais fortes do mundo.Do lado argentino, perplexidade: o time só não foi eliminado da Copa – até da repescagem – porque o Paraguai empatou com o Peru, em Lima. Nunca a seleção tinha levado sequer quatro gols em casa, em partidas de Eliminatórias. Até hoje, é a maior derrota da história do time nacional. A revista “El Gráfico” estampou o título “Vergonha” em letras garrafais, falando ainda em “maior papelão desde a (Copa da) Suécia”, e “entrar na Copa pela janela”.Para os colombianos, tudo foi festa. A classificação do país para o Mundial, de maneira tão gloriosa, fez o Rei Pelé alçar a seleção tricolor ao posto de favorita ao título a ser disputado no ano seguinte. De fato, o futebol era o mais bonito da América naquela altura, já que o Brasil viveu quase os mesmos percalços que a Argentina, com a diferença de que venceu na hora decisiva. A Colômbia passou a ser respeitada no futebol sul-americano, mesmo com a eliminação precoce nos Estados Unidos, e foi mais uma prova viva da famosa frase “não há mais bobo no futebol”.Isso foi há vinte anos atrás. Hoje, a Colômbia está perto de disputar mais um Mundial, mesmo com uma geração menos talentosa que a dos anos 90. Ainda assim, a vitória é lembrada e sempre será, pela surpresa, pelo banho de bola dado sobre os argentinos e, especialmente, por ter mudado a forma de pensar dos próprios colombianos, a partir daquele momento, muito mais confiantes e capazes de superar adversidades em diversos setores da vida e da sociedade.
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